Análise técnica de ataque de upload identificado na rede de clientes
Em uma análise recente de telemetria, identificamos um evento de tráfego de saída malicioso (upload attack) originado na faixa 100.64.x.x, correspondente à rede de clientes do provedor.
Diferente de um ataque volumétrico tradicional de entrada, neste caso o comportamento observado mostra a rede interna gerando tráfego para múltiplos destinos externos, com forte dispersão de portas de origem e destino, o que caracteriza um cenário compatível com hosts comprometidos, bots distribuídos ou abuso de aplicações expostas na base de clientes.
Principais evidências observadas nos gráficos:

1) Origem do tráfego concentrada na rede 100.64.x.x
No painel de correlação entre IPs, os principais endereços internos com maior volume de saída foram:
- 100.64.25.202 com pico de 7,12 Gb/s
- 100.64.25.201 com pico de 6,58 Gb/s
- 100.64.13.8 com pico de 5,97 Gb/s
- 100.64.14.3 com pico de 3,58 Gb/s
- 100.64.12.221 com pico de 2,59 Gb/s
- 100.64.18.26 com pico de 1,76 Gb/s
- 100.64.18.140 com pico de 1,47 Gb/s
Esse ponto é o mais importante da análise: a volumetria parte de dentro da rede de clientes e segue para fora, ou seja, trata-se de incidência de upload agressivo, e não de flood externo contra esses IPs.
2) Múltiplos destinos externos atingidos
Os principais destinos externos observados nos picos foram:
- 21.66.246.156 com 12,3 Gb/s
- 156.246.66.21 com 7,12 Gb/s
- 214.36.170.111 com 6,47 Gb/s
- 156.246.66.11 com 5,92 Gb/s
- 11.66.246.156 com 5,90 Gb/s
- 111.170.36.214 com 5,15 Gb/s
- 48.198.207.45 com 3,90 Gb/s
Também aparecem outros destinos relevantes, como:
- 172.217.30.106
- 193.151.109.179
- 172.217.162.170
- 172.217.29.175
Isso mostra que o tráfego não estava mirando um único alvo, mas sim diversas redes externas simultaneamente, reforçando o indício de comportamento automatizado ou coordenado.
3) Principais portas de destino com maior incidência
No painel SOURCE.IP x DESTINATION.PORT, os maiores picos foram observados em:
- 65353 → 19,4 Gb/s
- 80 → 11,6 Gb/s
- 443 → 3,84 Gb/s
- 27001 → 3,37 Gb/s
- 7777 → 2,60 Gb/s
- 53 → 1,39 Gb/s
- 9085 → 1,34 Gb/s
- 8443 → 1,19 Gb/s
- 3478 → 1,10 Gb/s
- 9036 → 954 Mb/s
A presença simultânea de portas como 80, 443, 53, 3478, 7777, 27001 e portas altas aleatórias evidencia um padrão de multiporta, incompatível com tráfego legítimo concentrado em uma única aplicação.
4) Principais portas de origem identificadas
No painel SOURCE.IP x SOURCE.PORT, os maiores volumes apareceram em:
- 46539 → 7,12 Gb/s
- 2334 → 6,58 Gb/s
- 21680 → 5,97 Gb/s
- 40069 → 3,90 Gb/s
- 62619 → 3,56 Gb/s
- 10896 → 3,51 Gb/s
- 11972 → 3,37 Gb/s
- 44871 → 2,60 Gb/s
- 64216 → 797 Mb/s
- 63613 → 754 Mb/s
Esse comportamento sugere alta aleatorização das portas de origem, algo comum em dispositivos comprometidos, botnets e tráfego automatizado gerado em massa.
Leitura técnica do incidente
Com base nos dados observados, o evento apresenta as seguintes características:
- tráfego de saída originado na base 100.64.x.x
- múltiplos IPs internos participando do envio
- diversos destinos externos simultâneos
- dispersão entre portas conhecidas e portas altas
- picos expressivos de upload em curto intervalo
- forte indício de comprometimento distribuído na rede de clientes
Em outras palavras, trata-se de um cenário em que a rede do provedor deixa de ser apenas alvo e passa a ser também fonte de tráfego abusivo, o que exige resposta rápida para conter impacto operacional, reputacional e risco de bloqueios externos.
Conclusão
Eventos como esse reforçam um ponto crítico para qualquer ISP:
não basta monitorar ataque de entrada; é obrigatório monitorar upload malicioso na base de clientes.
Sem visibilidade por fluxo, correlação por IP e leitura por portas, esse tipo de incidente pode passar despercebido até causar:
- saturação de uplinks
- degradação de qualidade para assinantes
- blacklists
- acionamentos por abuso
- dano reputacional para o ASN do provedor
Quem monitora apenas consumo vê banda.
Quem monitora fluxo vê comprometimento.
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Abraço.
Raphael


