DDoS moderno em ISPs: quando a análise vai muito além do IP atacado

Durante uma análise recente de eventos DDoS em uma infraestrutura de ISP, identificamos um cenário que ilustra perfeitamente como os ataques evoluíram. Hoje, o desafio não é apenas identificar que existe um ataque em andamento, mas compreender quem está atacando, quais vetores estão sendo utilizados, quais portas predominam e quais padrões se repetem.

Por questões de confidencialidade, todos os prefixos e vítimas foram omitidos. O objetivo deste artigo é compartilhar a inteligência obtida a partir da análise dos agressores e demonstrar como uma operação especializada consegue transformar milhões de pacotes por segundo em informações acionáveis para o NOC/SOC.


O ataque começou como SYN Flood, mas não era apenas isso

Os alarmes identificaram diversos vetores simultâneos:

  • TCP+SYN
  • FLOW+SYN
  • TCP+SYNACK
  • TCP+RST
  • SSH
  • IPv4 Flood
  • Fragmentation

Ou seja, não era um único ataque volumétrico.

Era uma campanha composta por diversos vetores diferentes ocorrendo praticamente ao mesmo tempo.

Esse tipo de comportamento é extremamente comum atualmente, principalmente em botnets distribuídas.


O grande indicador: pacotes por segundo

Embora boa parte do mercado ainda utilize apenas Gbps como métrica de severidade, os maiores impactos observados ocorreram em pacotes por segundo (pps).

Durante o incidente foram observados picos como:

VetorPico observado
FLOW+SYN10,2 Mpps
IPv4 Flood10,4 Mpps
TCP+SYN8.22 Mpps
FLOW+SYN (outro evento)52,3 Mpps
TCP+SYNACK45,3 Mpps
SSH14 Mpps
TCP+RST12,4 Mpps

Isso demonstra que equipamentos que suportam grandes volumes em Gbps podem apresentar degradação severa quando submetidos a milhões de pacotes pequenos por segundo.


Portas identificadas

Uma das informações mais relevantes da análise foi a identificação das portas utilizadas pelos agressores.

TCP 22 (SSH)

O vetor mais recorrente foi classificado como SSH.

Entretanto, tecnicamente, o que chamou atenção foi a enorme concentração de fluxos utilizando:

TCP Source Port 22

Durante o evento foram observados:

  • pico superior a 11 milhões pps
  • diversas regras automáticas via PacketFilter e FilterCluster

Isso normalmente indica:

  • scanners automatizados;
  • botnets;
  • equipamentos Linux comprometidos;
  • servidores expostos utilizados para ataques distribuídos.

TCP SYN

Outro vetor extremamente recorrente foi:

  • TCP SYN

Característico de:

  • SYN Flood
  • exaustão de tabelas de conexão
  • ataques contra firewalls
  • ataques contra load balancers
  • ataques contra servidores Web

TCP SYN+ACK

Também houve um volume significativo de:

  • SYNACK

Esse padrão normalmente aparece quando:

  • há spoofing parcial;
  • respostas sendo refletidas;
  • ataques distribuídos utilizando sessões parcialmente estabelecidas.

TCP RST

Outro comportamento observado:

  • TCP RST

Esse tipo de tráfego geralmente está associado a:

  • scanners agressivos;
  • reset de conexões;
  • tentativas de derrubar sessões estabelecidas.

Principais origens agressoras

A análise mostrou dezenas de IPs diferentes distribuídos globalmente.

Os endereços mais recorrentes foram:

Grupo 1

  • 148.135.0.242
  • 198.20.82.226
  • 5.202.6.67
  • 94.182.157.184
  • 185.236.37.15

Esses cinco IPs responderam pelos maiores volumes observados no FilterCluster.

Alguns deles ultrapassaram:

  • 66 mil pps
  • 31,7 Mbps
  • dezenas de milhões de pacotes processados

Grupo 2

Também apareceram de forma recorrente:

  • 103.109.120.110
  • 131.221.33.132
  • 202.69.171.60
  • 67.220.64.66
  • 78.110.122.191
  • 54.37.226.36
  • 74.50.96.173
  • 223.84.236.3
  • 159.253.56.70
  • 179.61.232.3
  • 213.176.120.9

Todos apresentando comportamento compatível com campanhas distribuídas.


Outras origens observadas

Também participaram da campanha:

  • 89.150.45.50
  • 164.37.104.198
  • 158.160.138.117
  • 159.195.148.238
  • 159.195.148.175
  • 193.178.226.215
  • 178.176.128.128
  • 31.129.42.97
  • 51.250.118.188
  • 62.60.228.183
  • 209.42.198.252

Apesar do menor volume individual, apresentaram recorrência em diferentes vetores (FLOW+SYN, SSH, TCP+RST e TCP+SYNACK), indicando uma infraestrutura distribuída.


O que esse padrão revela?

Existem alguns indicadores importantes.

Não é um único servidor atacando

Os IPs pertencem a diferentes países, ASNs e provedores.

Isso caracteriza um ataque distribuído.


Alta probabilidade de botnet

A enorme dispersão geográfica das origens indica utilização de:

  • VPS comprometidas;
  • servidores alugados;
  • equipamentos IoT;
  • CPEs vulneráveis;
  • máquinas Linux comprometidas.

Diversificação de vetores

O atacante alterna continuamente entre:

  • SYN
  • SYNACK
  • RST
  • SSH
  • IPv4 Flood
  • Fragmentação

Essa mudança constante dificulta a mitigação baseada apenas em ACLs estáticas.


Como o BGP Flowspec ajudou

Durante o evento foram criadas diversas regras automáticas de mitigação utilizando:

  • PacketFilter
  • PacketCluster
  • FilterCluster
  • BGP Flowspec

Essa abordagem permite bloquear exatamente o comportamento malicioso sem necessidade de indisponibilizar todo o prefixo.

Em vez de simplesmente anunciar blackhole para um destino inteiro, é possível criar regras considerando:

  • IP de origem;
  • protocolo;
  • portas;
  • flags TCP;
  • fragmentação;
  • taxa de pacotes.

Essa granularidade reduz significativamente o impacto sobre tráfego legítimo.


O erro que muitos provedores ainda cometem

Ainda é comum encontrar ISPs cuja resposta a um ataque consiste apenas em:

  • aplicar blackhole;
  • bloquear um IP;
  • esperar o ataque terminar.

Essa estratégia já não atende aos ataques modernos.

Hoje é necessário responder perguntas como:

  • Qual vetor predominou?
  • Quais portas aparecem com maior frequência?
  • Existe reincidência das mesmas origens?
  • Quais IPs merecem entrar em listas de observação?
  • Existe padrão geográfico?
  • A mitigação reduziu efetivamente o ataque?

Sem essas respostas, o ISP continua operando de forma reativa.


Inteligência operacional vale mais que um firewall

A diferença entre uma rede protegida e uma rede apenas “com firewall” está justamente na inteligência operacional.

Uma operação madura utiliza:

  • NetFlow
  • sFlow
  • IPFIX
  • Wanguard
  • Packet Filter
  • Filter Cluster
  • BGP Flowspec
  • Dashboards
  • Correlação de eventos
  • Relatórios pós-incidente

Isso permite responder em segundos, e não em dezenas de minutos.


Como a Flowspec Solutions atua

Na Flowspec Solutions, nosso trabalho vai muito além de instalar uma ferramenta.

Nossa equipe atua diretamente em:

  • implantação de ambientes anti-DDoS;
  • análise de ataques reais;
  • tuning de thresholds;
  • integração NetFlow/IPFIX;
  • BGP Flowspec;
  • Packet Filter;
  • Cluster Filter;
  • mitigação local;
  • dashboards técnicos;
  • correlação de eventos;
  • suporte NOC/SOC durante incidentes.

Nosso objetivo é permitir que o ISP identifique rapidamente:

  • quem está atacando;
  • qual vetor está sendo utilizado;
  • qual regra deve ser aplicada;
  • como manter os clientes online durante o ataque.

Conclusão

O incidente analisado mostra uma tendência clara dos ataques modernos:

  • múltiplos vetores simultâneos;
  • milhares a milhões de pacotes por segundo;
  • dezenas de origens distribuídas globalmente;
  • predominância de TCP SYN, TCP SYNACK, TCP RST e SSH (porta TCP 22);
  • mitigação automatizada via PacketFilter, FilterCluster e BGP Flowspec.

A grande lição é que mitigar DDoS não significa apenas bloquear tráfego.

Significa transformar milhões de pacotes em inteligência operacional, reduzir falsos positivos e responder rapidamente com ações precisas.

É exatamente esse modelo de operação que a Flowspec Solutions entrega para ISPs que buscam proteger sua infraestrutura com visibilidade, automação e engenharia especializada.

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Sobre nós
A Flowspec Solutions é uma empresa de Telecomunicações focada em mitigação de ataques DDoS criada para oferecer ao mercado a melhor conexão de internet através de redes NGN de última geração, com uma infraestrutura de alta capacidade e com soluções customizadas para SOC e empresas de todos os portes. Nossa empresa nasceu da determinação de seus fundadores e da crença de que podemos fazer o melhor para nossos clientes e colaboradores
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